As novas garras dos Fuzileiros Navais – UPDATE

Publicado em: 03/10/2014

Categoria: DESTAQUES, VÍDEOS

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Do Rio de Janeiro

Uma tropa em deslocamento em território sob conflito estabelece um ponto de encontro ou um ponto para descanso, caminhões e outras viaturas fazem parte do comboio e medidas de segurança são tomadas, tudo transcorre como planejado e nenhuma presença do inimigo é notada.

No entanto, com muita discrição, eles já foram detectados, suas posições atuais e futuras foram analisadas e plotadas. A 35km do ponto de concentração uma Bateria Lançadora Múltipla de Foguetes já está preparada, apenas aguardando o melhor momento para o ataque. Durante o planejamento, foi estabelecido o melhor posicionamento, carregados os foguetes adequados para a missão, foi calculada a trajetória e tempo de voo, o padrão de impacto e as rotas que serão tomadas por cada viatura após os disparos a fim de evitar o fogo de contrabateria.

No melhor momento, o comando para o disparo é ordenado. Uma contagem é iniciada e vista simultaneamente em cada viatura do sistema, nos últimos cinco segundos os foguetes são armados, e no tempo zero, seis lançadoras disparam juntas cada uma 16 foguetes SS-40.

Sem nenhum aviso, enquanto as tropas do comboio descansam ,96 foguetes caem sobre suas cabeças com total surpresa, cada um despejando no momento exato 20 submunições de 70mm capazes de penetrar blindagens e de destruir tudo em uma área de 40 metros de raio, totalizando 1920 granadas chovendo em uma área extremamente concentrada, com a área de saturação cuidadosamente calculada, resultando em uma eficácia já prevista muito antes dos disparos.

Esse é o poder do sistema ASTROS II MK6 da Avibras. E esse é o poder agora nas mãos do Corpo de Fuzileiros Navais, da Marinha do Brasil.

O ASTROS II MK6 adquirido recentemente pela força, começou a ser entregue para o Batalhão de Artilharia em Março deste ano, no entanto, o Sistema já é praticamente dominado pelos Fuzileiros Navais com disparos realizados na Restinga de Marambaia, no Rio de Janeiro, sendo o último efetuado no dia 22 de Setembro. São as viaturas mais modernas produzidas pela Avibras, e reúnem tecnologia de ponta com ergonomia e sistemas intuitivos, fáceis de serem operados com o mais alto grau de segurança e precisão.

As viaturas, inseridas no conceito determinado pelos Fuzileiros Navais, chegam para revolucionar a artilharia da força. O cenário descrito no início deste texto é apenas uma das diferentes formas de emprego desta nova arma pela força expedicionária. Não serão necessário mais tiros de ajustagem para garantir o acerto compensando a falta de precisão. O poder de saturação existente agora é muito maior que qualquer outra arma já utilizada pelos Fuzileiros Navais.

Neste artigo vamos conhecer um pouco mais o sistema e saber das capacidades do produto nacional, desenvolvido para as Forças Armadas Brasileiras e já operada no Exterior, e neste caso específico, desenvolvido sob o olhar atento do CFN, para que tudo viesse dentro de suas especificações na ampliação de sua capacidade operacional.

O SISTEMA


O sistema ASTROS II MK6 de Artilharia com Foguetes, ou Bia LMF (Bateria Lançadora Múltipla de Foguetes) como é denominado no CFN, é composto de 11 viaturas, sendo seis chamadas LMU (Lançadora Múltipla Universal) três viatura RMD (Remuniciadora), uma MET (Meteorológica) e uma PCC (Posto de Comando e Controle). Todas trabalham em conjunto via DATALINK, que compartilha em tempo real mensagens de texto, voz, e principalmente informações referentes ao tiro a ser executado, ou como é chamado oficialmente, “eficácia”.

Montado sobre chassis TATRA T 815-7 6×6 e 4×4, de origem Tcheca, o sistema ASTROS II MK6 possui alta capacidade de manobra e de transposição de terrenos difíceis. Podendo atingir velocidades de até 110km/h em estradas pavimentadas, apesar de não existir limite para velocidade em terreno não preparado (QT), recomenda-se não ultrapassar os 30km/h. E esta recomendação é apenas para operações normais, uma vez que em caso de combate, graças aos 402cv do motor Tatra T3C-928-90 EURO 3 na vesão 6×6 e 320cv com o motor Tatra T3C-928-A0 na versão 4×4, o veículo pode despejar uma grande potência somada a uma tração considerável, capaz de tracionar a viatura no mais acidentados terrenos com rapidez impressionante.

Excetuando as viaturas MET e PCC, as unidades LMU e RMD possuem o chassi chamado pela Avibras de VBA, ou Viatura Básica Avibras, podendo ser reconfigurado para o uso como LMU ou como RMD, caso seja necessário.

Como visto na imagem acima, existe ainda a viatura UCF, Unidade de Controle de Fogo, veículo com um sistema de monitamento por radar do lançamento de um foguete ajustagem, que com base nos dados coletados neste lançamento e extrapolação de sua trajetória, define a melhor solução de tiro que será realizada.

O Corpo de Fuzileiros Navais não fará aquisição dessa viatura, estudos internos levaram a conclusão que sua aplicação não se encaixa na doutrina, ora em desenvolvimento, da utilização do ASTROS II MK6 pelo CFN já que os sistemas e softwares da versão MK6 são muito precisos e confiáveis e dispensam o tipo de missão realizada pela UCF. Não necessitando portanto de um tiro de ajustagem, o que poderia entregar a posição da bateria.

Oficialmente cada viatura RMD remunicia completamente uma viatura LMU, mas em certas situações, 2 LMU’s podem ser remuniciadas por uma RMD.

As viaturas possuem navegação por GPS , DGPS e Sistema Inercial, a fim de garantir a precisão de sua posição no terreno, fundamental para um tiro de artilharia. O sistema GPS possui integrado apenas a constelação NAVSTAR americana, não possuindo, no momento, previsão para a inclusão de outros sistemas como o GLONASS russo ou GALILEO europeu.

Todas possuem blindagem tanto opaca como transparente capazes de resistir a impactos de projéteis 30-06 AP M2, 7,62x51mm e 5,56x45mm M855, oferecendo uma proteção de 90% conforme norma americana MIL-DTL-46100E e classificada como Nível 1 conforme STANAG 4569.

Viatura AV-MET

A viatura de observação e análise meteorológica do sistema ASTROS MK6 é baseada em um chassi T 815-7 4×4, com carroceria blindada, eixos independentes, motor TATRA T3C-928-A0 de 320cv e abrigando na parte traseira o sistema VAISALA MARWIN de monitoramento meteorológico.

O sistema VAISALA, de fabricação finlandeza, utilizado pelo ASTROS MK6 é composto por uma antena UHF em um mastro retrátil da empresa Will Burt na viatura MET e sensores em uma Antena Portátil CG31, uma espécie de módulo remoto montado em tripé com um longo cabo de dados ligado à viatura. Utiliza também de um balão meteorológico lançado no local com uma radiossonda acoplada que emite os dados coletados em altitudes maiores a Antena Portátil CG31.

Um dos sensores utilizados no módulo remoto está presente também na antena retrátil da viatura AV-PCC, a fim de garantir a capacidade de utilização do sistema mesmo se a viatura AV-MET estiver inoperante por qualquer motivo. Obviamente que este uso compromete a precisão das informações disponíveis para o planejamento do tiro a ser realizado.

O cuidado com o vento é justificado por ser o fator que mais influencia na trajetória dos foguetes SS do sistema ASTROS. E essa influência se dá principalmente durante o lançamento, nos primeiros metros com o foguete ganhando altura, chamada primeira camada.

Por esse motivo a meteorologia presente no local do lançamento é monitorada minuciosamente pelo sistema VAISALA, levantando também dados de pressão, temperatura e umidade, sendo todas as informações repassadas à viatura AV-PCC em tempo real.

A bordo da viatura AV-MET encontra-se o monitor do sistema VAISALA MARWIN, com teclado embutido ao lado, encapsulado em uma robusta carcaça capaz de suportar condições muito adversas. O sistema é relativamente simples de ser operado, e entrega dados precisos com extrema rapidez. Sendo capaz de gerar mensagens meteorológicas para operações militares em poucos segundos, como a METCM e METB3, padrões para o uso em artilharia de foguetes e de campanha, respectivamente.

O sistema ASTROS II MK6 é capaz de operar sob qualquer condição climática, tendo apenas um fator restritivo para o lançamento de foguetes, chamado de “vento recorrente”. Porém os softwares a bordo das viaturas ASTROS tornam muito fácil lidar com esta limitação, uma vez que o sistema VAISALA trabalha com a análise constante das condições meteorológicas, sendo capaz de gerar previsões bastante precisas das condições do vento no local com antecedência.

Uma tela na AV-PCC exibe padrões de manchas verdes e vermelhas, que se movem demonstrando a tendência do vento no local. O comando de disparo então só é dado caso o envelope de lançamento esteja dentro do verde. E mesmo com toda essa facilidade, o comando de lançamento pode ser abortado a qualquer momento da contagem regressiva.

AV-PCC

A Viatura de Comando e Controle do sistema ASTROS II MK6 também é montada sobre um chassi 4×4 idêntico ao da viatura AV-MET. Sendo que no compartimento traseiro, que na versão meteorológica só abriga o monitor do sistema VAISALA MARWIN, na PCC abriga um par de estações de trabalho (computadores) BARCO MicroVista, com monitores de 19 polegadas e teclados retráteis, separados por dois módulos sobrepostos do rádio DATALINK modelo Elbit Systems VRC950HDR, da família CNR-9000HDR, e da Unidade de Comando de Energia do cabine, e que compõem o sistema de comando.

O computador do lado esquerdo é dedicado à transmissão e recepção de mensagens, tudo por DATALINK. Mensagens de texto são trocadas entre todas as viaturas do sistema de forma instantânea. As transmissões são criptografadas e utilizam de Salto de Frequência para proteção.

No computador da direita é feito todo o trabalho de planejamento, comando e controle dos tiros, ou eficácias, efetuados pelo sistema ASTROS II MK6.

Neste computador o militar em comando tem a sua disposição programas nativos da Avibras que tornam muito intuitivos os procedimentos para a elaboração de uma missão. Um dos programas mais importantes porém, não é original da Avibras, é um programa civil conhecido nesta área e que a Marinha do Brasil adquiriu sua licença para uso. Se trata do ERDAS, um programa de mapas e cartas georreferenciadas de origem americana e que possui inúmeras capacidades para as operações do ASTROS II MK6.

A boa notícia é que a Avibras não deixou que o comando e controle de seu sistema fosse baseado somente em um software norte-americano, e desenvolveu uma versão do ERDAS, todo em português e que faz basicamente as mesmas coisas, utilizando as mesmas cartas georreferenciadas, dando a opção para o operador escolher qual prefere utilizar. No caso do ASTROS II MK6 CFN, qual programa será utilizado depende do gosto do militar em comando, já que um é em inglês e mais intuitivo, e outro em português e um pouco mais rústico.

Com esses programas, o operador é capaz de traçar rotas para as viaturas, waypoints durante estas rotas, pontos de encontro, posições de lançamento e posição dos alvos. Como todas as cartas são georreferenciadas, cada ponto tem suas coordenadas conhecidas e distâncias podem ser calculadas com extrema precisão. Os outros softwares a bordo da AV-PCC então reúnem estes dados com os dados meteorológicos e com os dados do GPS, dando todas as informações para que o comando planeje o tiro.

O computador oferece várias opções ao comandante da missão, como o tipo de foguete que deseja utilizar, o grau de eficácia e o quão aglomerado deseja que seja a concentração dos impactos. Caso o operador selecione um alvo a uma distância incompatível com o uso do foguete selecionado, ou por estar longe ou perto demais, o computador o avisa, denunciando operação fora dos parâmetros adequados e o reorienta a escolher o tipo de foguete mais indicado.

O sistema também exibe ao operador uma imagem de previsão de impactos sobre o alvo, e o informa se a eficácia pretendida pode ser alcançada ou não com o número de foguetes disponível. Caso não seja possível, o sistema informa quantos foguetes seriam necessários para alcançar o objetivo.

Com todos os parâmetros ajustados para o tiro, é feito então um cálculo de trajetória dos foguetes, e com base nas posições das AV-LMU sobre as cartas georreferenciadas, são gerados valores de azimute e elevação, distribuídos por DATALINK para o correto posicionamento das plataformas das LMU.

Após cada viatura LMU ajustar sua plataforma lançadora ao azimute e elevação fornecidos pelor DATALINK, o tiro pode ser efetuado. O procedimento para realização do disparo é muito simples e com pouca margem para erro. O comandante da Bia observa as condições ótimas de lançamento, quando atingida a solução de tiro, a ordem é dada apertando um botão em um programa, uma contagem regressiva é iniciada simultaneamente em todas as viaturas do sistema. A contagem vai de 10 a 0 em uma cadência mais rápida que a dos segundos de um relógio, e pode ser paralisada a qualquer momento, caso o comando ache necessário.

Viaturas AV-LMU

A viatura AV-LMU, ou Lançadoras Múltipla Universal, é montada sobre um chassi T 815-7 6×6 que tem como base a AV-VBA, ou Viatura Básica Avibras. Ou seja, assim como as AV-MET e AV-PCC possuem o mesmo chassi, as AV-LMU e AV-RMD também, só que possuem ainda a característica já citada de compartilhamento do mesmo. Ou seja, uma AV-RMD pode se transformar em uma AV-LMU, e vice-versa. Capacidade que as AV-MET e AV-PCC não possuem.

As viaturas LMU possuem uma plataforma lançadora universal na parte traseira, com controle hidráulico extremamente sensível de seus movimentos horizontais e verticais, uma vez que é a precisão destes movimentos que vão determinar a precisão dos foguetes lançados por ela.

O Portal Defesa teve a oportunidade de movimentar a plataforma de lançamento na viatura LMU pelo controle interno da cabine, e apesar de estar descarregada no momento, a impressão que tivemos foi de extrema leveza e sensibilidade do sistema. Apenas um leve toque na alavanca faz o azimute e a elevação variarem um ou dois dígitos.

Este sistema de posicionamento da plataforma possui uma redundância para o caso dos sistemas eletrônicos da viatura estarem inoperantes. Trata-se de um controle externo do posicionamento da plataforma, localizado na traseira da mesma, e que conta com um equipamento Dial Sight Trilux L7A1 da britânica Hall & Watts específico para posicionamento de artilharia, e que fornece os ângulos em que se encontra a plataforma em relação a um ponto de referência. Com essas informações, e com duas alavancas de controle hidráulico, o operador sentado neste suporte externo pode mover com a mesma precisão a plataforma lançadora como se estivesse dentro do veículo, apenas com a diferença do referencial de azimute e elevação que passam de digital para analógico e visual.

A plataforma possui espaço para quatro containers lado a lado, modulares, e que servem de casulo para os foguetes de variados calibres do sistema ASTROS II MK6. Os foguetes são os seguintes:

SS-09 TS – Foguete de treinamento com 70mm e alcance máximo de 11km. Seu container é reutilizável.

SS-30 – Foguete Anti-pessoal e Anti-material não blindado, com 127mm e alcance máximo de 44km. Possui um raio de destruição de até 52 metros, cada container comporta 8 foguetes e é descartável.

SS-40 – Foguete Anti-pessoal e Anti-blindagem, com 180mm, possui 20 submunições de 70mm e espoleta com contador eletrônico de tempo. Alcance máximo de 36km, cada container comporta 4 foguetes e é descartável;

SS-60 – Foguete Anti-pessoal e Anti-blindagem, com 300mm, possui 65 submunições de 70mm e espoleta com contador eletrônico de tempo. Alcance máximo de 75km, cada container comporta 1 foguetes e é descartável.

E por fim o SS-80 – Foguete Anti-pessoal e Anti-blindagem, com 300mm, possui 52 submunições de 70mm e espoleta com contador eletrônico de tempo. Alcance máximo ao nível do mar de 81km, cada container comporta 1 foguetes e é descartável.

Porém, a plataforma lançadora da versão MK6, junto com todos os modernos sistemas de bordo das viaturas LMU e PCC, torna a bateria do CFN capaz de operar sem problemas o míssil AV-TM-300, em desenvolvimento pela Avibras.

O míssil, que teve uma campanha de ensaio no início do mês de Agosto em Formosa/GO com dois disparos considerados bem sucedidos, é de interesse do Corpo de Fuzileiros Navais uma vez que aumentaria a capacidade de ataque do já implantado sistema ASTROS II MK6 para 300km de alcance com uma maior precisão sobre os alvos, e enriquecerá também o Know-how da força a partir do momento que se trata de uma arma muito mais complexa que faz uso de microturbina.

Toda essa capacidade de expansão do sistema ASTROS II MK6 se deve a tecnologia embarcada em suas viaturas. A LMU possui dois monitores touchscreen do lado direito da cabine, com botões e comandos a sua volta, todos voltados para o gerenciamento da operação e de lançamento.

No monitor do lado esquerdo, chamado de Console de Operações (COP) são exibidas informações a cerca da plataforma de lançamento e seu posicionamento, navegação da viatura, buscador de norte, além de status da viatura LMU em si, como o funcionamento do GPS, do DGPS, do Inercial e do Rádio DATALINK. Nesta tela é que são recebidas mensagens e os valores de elevação e azimute que o operador deve zerar, movimentando a plataforma para a direção correta. É sempre preferível que a viatura em si já esteja posicionada a fim de zerar o azimute, ficando a cargo da plataforma apenas zerar a elevação.

Existe, porém um envelope de lançamento que não pode ser ignorado nem mesmo se o operador tentar deliberadamente por qualquer razão. O sistema não permite disparo caso algum desses parâmetros esteja fora. Um deles é a ZPT, ou Zona Proibida de Tiro. A ZPT nada mais é do que um posicionamento da plataforma em que o tiro não é possível por questões estruturais. Seja por comprometer o equilíbrio da viatura mesmo com as sapatas baixadas, ou por estar apontando os containers dos foguetes para a própria cabine da viatura, por mais que os valores de posicionamento estejam zerados, ou seja, alinhados com o padrão de lançamento.

Na outra tela, chamada de Console de Tiro (COT) e que fica a direita, temos informações referentes aos foguetes e ao lançamento em si. Lá temos selecionados as lançadoras que irão disparar, o tipo de foguete, de espoleta empregada e sua configuração, além de informações criticas de cada foguete carregado. Por exemplo, antes de qualquer disparo é feito um teste em cada foguete para saber se todos estão ativos ou se algum não deverá ser lançado. Os testes analisam o ignitor e a espoleta, e apresenta na tela quantos foguetes dos que estão carregados estão de fato aptos para o disparo.

Outras verificações de sistemas da própria viatura são feitas, como a do sistema de tiro, a do By-pass de bloqueio, by-pass da espoleta e ignitor, rajada e lançadora armada(manobra a ser descrita a seguir). Todos estes itens devem estar verdes na tela, caso contrário o lançamento não ocorre mesmo se o operador apertar o “gatilho”.

Nesta mesma tela onde estes testes são feitos, é exibida a contagem regressiva acionada pelo comando na AV-PCC. A contagem é rápida, e a sequência de lançamento é a seguinte: Ao chegar em 05, o operador da LMU aciona o botão que arma os foguetes, armando a lançadora. Ao chegar em 00, o operador apenas pressiona o botão vermelho de disparo, e todos os disparos ocorrem da forma com que foram configurados.

O monitor COT pode servir de Back-Up para o monitor COP, porém o contrário não é possível.

Viatura AV-RMD

A viatura mais simples do sistema, possui uma caçamba larga de aço nas dimensões específicas para acomodar 8 containers dos foguetes SS da Avibras, sendo capaz de remuniciar completamente duas AV-LMU. Possui também em sua cabine um monitor COP, a fim de gerenciar comunicações e a navegação da viatura.

Conta com um guindaste tipo Munck da IMAP logo atrás da cabine com capacidade para 2 toneladas, totalmente retrátil ao ponto de não se sobressair na silhueta da viatura, se tornando fácil a certa distância confundir uma AV-RMD com uma AV-LMU, exceto talvez pelo grande pneu estepe na parte traseira.

Cada container pesa em média 900kg, porém o guindaste foi superdimensionado para suportar 2 toneladas por conta do projeto AV-TM-300, já que o peso previsto para o míssil + container gira em torno deste valor.

  ASTROS II MK6 no Corpo de Fuzileiros Navais

É inegável o ganho de capacidades de ataque que o Batalhão de Artilharia teve com a introdução do sistema ASTROS II MK6. Porém os ganhos não se limitam ao alcance e a saturação que o sistema entrega.

A viatura PCC por exemplo, com o uso de cartas georreferenciadas e programas de planejamento de missões sobre elas, vem modificando as operações de outras armas dentro do próprio Batalhão, como no caso dos Obuses Light-Gun 105mm e dos antigos M114 que se encontram a vias de serem substituídos, tendo como candidatos o M777 e o Santa Bárbara 155/52 APU SBT, sendo o M777 favorito.

Os cálculos de distância e posicionamento precisos das armas e/ou dos alvos podem ser todos realizado sobre as cartas, e depois as mesmas podem ser impressas e levadas pela unidade operadora dos obuses. Esta flexibilidade de uso inclusive chamou a atenção do CFN de tal forma que partiu deles uma iniciativa de verificar com a Avibras a possibilidade do desenvolvimento de um sistema que integrasse eletronicamente todas as armas do batalhão aos sistemas de comando e controle, entregando uma capacidade de planejamento e precisão das operações muito superior a atual. Esta iniciativa, porém, esbarra na capacidade financeira da força para bancar tal desenvolvimento.

Outro ponto importante a ser levantado quanto ao uso do ASTROS II MK6 no CFN, é quanto a integração desta versão ao uso de VANT’s, Veículo Aéreo Não Tripulado, especialmente ao uso do Falcão, em desenvolvimento pela Avibras, AEL e EMBRAER, e que poderia ser empregado em missões de observação, vigilância e para designação de alvos para o sistema ASTROS.

Apesar da integração com tal aeronave ser facilitada por ser um produto também da Avibras, o Corpo de Fuzileiros Navais não vislumbra a aquisição ou uso dela pela complexidade que ela representa, completamente incompatível com a essência de uma tropa expedicionária como o CFN.

Um VANT do porte do Falcão necessita de uma pista de no mínimo 600m, pilotos para operação, material de apoio à aeronave transportados em containers, assim como a própria aeronave que possui dimensões consideráveis.

A vigilância, observação, e a designação de alvos para os tiros de artilharia do Corpo de Fuzileiros Navais continuarão sendo feitas pelos meios já empregados, como VANT’s portáteis e principalmente por forças especiais deslocadas.

A mobilidade do ASTROS II MK6 do CFN é baseada em movimentação por terra ou navio, sendo que em longas distâncias por estradas ele é levado por um caminhão. A Marinha aguarda a entrada em operação pela Força Aérea Brasileira do novo cargueiro KC-390, que promete possuir capacidade real de transporte de uma viatura inteira do sistema ASTROS II MK6.

Seu emprego pelo CFN não é baseado no acionamento repentino das unidades. O emprego do ASTROS II MK6 na força é feito com planejamento, com conhecimento anterior da área em que será operado e dos alvos que deverão ser atingidos. O ideal é que exista tempo suficiente para uma análise e um planejamento detalhado de cada tiro, porém caso seja necessário o acionamento repentino da bateria, a mesma pode ir do zero ao disparo de foguetes em cerca de 2h.

Atualmente a Bateria Lançadora Múltipla de Foguetes, ou Bia LMF é gerenciada por um Comandante, Capitão de Corveta Rafael Pires, especialista no sistema ASTROS II e que acompanhou o desenvolvimento e fabricação dos veículos do CFN desde antes do primeiro parafuso. A presença do Cmte. Rafael Pires no comando da Bia LMF é estratégica, pois permite que ele passe seu conhecimento para os demais militares que irão operar o sistema ASTROS II, formando massa crítica com vasta experiência na operação.

 Nossas impressões

Foi nos dada a oportunidade de conhecer a fundo o sistema, quando recebemos verdadeiras aulas sobre a operação do mesmo. Com isso podemos expor aqui nossas opiniões e impressões quanto a esta moderna arma a disposição do Corpo de Fuzileiros Navais.

Os softwares e todo o cuidado da Avibras na fabricação da versão MK6 impressionam. Tudo está tão fácil, confortável e cômodo de ser operado, que é fácil esquecer que estamos dentro de um veículo de guerra, blindado e dedicado ao lançamento de foguetes com grandes quantidades de explosivos.

Como já exemplificamos, os softwares desenvolvidos pela Avibras são muito intuitivos e modernos. Impressiona a inteligência do sistema e a rapidez do mesmo. Surpreende quando uma simples janela de “erro” aparece como um pop-up na tela, e ao ler você se da conta de que o está avisando da necessidade de um foguete mais potente para atingir o nível de destruição esperado. Lógico que não com essas palavras…

Os assentos são muito confortáveis, e as posições dos sistemas a serem operados, do volante do motorista à estação de trabalho do comando na AV-PCC são muito ergonômicas facilitando seu acesso e operação. O nível interno de ruído com a viatura ligada não incomoda muito e o ar-condicionado é potente.

A construção é robusta e muito bem feita, as soldas são bem acabadas, tudo é bem protegido e encaixado, exibindo excelência e qualidade. Parabéns para a Avibras no projeto deste veículo. .

Nós andamos em uma AV-LMU, sendo possível analisar seu comportamento em movimento. Como citado no início deste artigo, o veículo possui muita força e ganha velocidade rapidamente apesar de seu tamanho e seu peso por se tratar de um caminhão blindado. A suspensão faz um trabalho impressionante, não deixando que a cabine sofra trancos ou que o balanço lateral seja excessivo mesmo em terreno levemente acidentado, em velocidade e realizando curvas fechadas.

Curvas essas que podem ter um raio muito reduzido sem perder o controle mesmo em velocidade considerável para a manobra. Todas as viaturas utilizam grandes pneus Michelin 1400R20 XZL, robustos e específicos para uso em veículos militares grandes para todo tipo de terreno. O chassi da AV-LMU é o Tatra T 815-7 6X6 com uma estrutura tubular como “coluna”, e eixos independentes, o que significa que a estrutura não sofre torção ou dobra, e cada eixo é livre para se movimentar independente do outro, permitindo maior facilidade em transpor obstáculos mesmo em alta velocidade, além de absorver melhor os impactos de um terreno não preparado. O eixo de transmissão e todos os componentes relacionados ficam protegidos dentro do tubo principal do chassi, uma característica da Tatra, e que da maior segurança e proteção para o sistema.

A transmissão Tatra 14 TS 210L, semiautomática de 14 velocidades entrega trocas suaves e precisas, o que só contribui para a surpreendente perfomance do veículo.

Em suma, o sistema ASTROS II MK6 do CFN se mostrou surpreendentemente ágil para o tamanho das viaturas. Algo imprescindível já que faz parte da doutrina de uso da Bia LMF se deslocar o mais rápido possível após a realização dos disparos, já que os rastros dos foguetes SS facilmente entregam a posição da bateria.

 Imagens: Reprodução de vídeo

O Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil ganhou uma excelente arma de artilharia com grande capacidade de ataque, e a reboque veio uma excelente ferramenta de comando e controle que pode vir a mudar a realidade de toda a tropa. Parabéns ao Corpo de Fuzileiros Navais por mais essa conquista!

Abaixo, uma galeria do sistema ASTROS II MK6 do Corpo de Fuzileiros Navais, e um vídeo de uma das operações de lançamento já realizadas pelo Batalhão de Artilharia.

 Lançamento de foguetes SS-09 TS


 Agradecimentos

O Portal Defesa gostaria de agradecer a Marinha do Brasil por permitir a realização dessa matéria. Agradecemos especialmente ao Capitão-de-Fragata (FN) Alexandre Silva, Comandante do Batalhão de Artilharia do Corpo de Fuzileiros Navais. E como não poderíamos deixar de mencionar, nosso agradecimento mais que especial ao Capitão-de-Corveta (FN) Rafael Pires, Comandante da Bia LMF, por toda a atenção imensurável que nos deu, por toda a paciência ímpar quanto as nossas infindáveis perguntas e pedidos e que não poupou esforços para realização da matéria. Enche-nos de orgulho ver que nossas Forças Armadas contam com militares de tão alto nível e comprometidos com sua Força, com tamanho senso de patriotismo e vibração pela defesa de nosso país, alem de altamente especializados. Agradecemos também aos demais Fuzileiros Navais que nos auxiliaram, deslocando viaturas e preparando tudo para realizarmos as imagens publicadas aqui.

 

Muito obrigado!

 

 

Portal Defesa

29 Responses to As novas garras dos Fuzileiros Navais – UPDATE

  1. […] roquettes de suite à brefs intervalles, et trois de ses roquettes peuvent être équipées d’un nombre de sous-munitions pouvant aller jusqu’à 65, et possèdent un rayon d’action pouvant atteindre les 80 km, selon le type de roquette. Le site […]

  2. Leonardo de Araújo disse:

    Avibras é uma fonte de inovação. Uma indústria muito importante. O Astros é o melhor lançador de foguete e míssil do mundo, sem dúvida. Até a preocupação de deixar uma AV-RMD similar a uma AV-LMU para confundir a inteligência do inimigo. Sem comentários. O brasileiro quando quer produz qualidade também.

  3. Leonardo de Araújo disse:

    Excelente matéria, rica em detalhes, perfeita, muitas dúvidas e informações até de certo ponto restritas foram fornecidas. Parabéns mesmo, melhor reportagem em um portal informativo militar, sem dúvida.

  4. Leonardo de Araújo disse:

    Uma das funções do AV-TM-300 é esta capacidade de terra-mar.

  5. leonardojm disse:

    Muito obrigado Renato. Continue lendo o PD. Teremos mais novidades! Um abraço!

  6. leonardojm disse:

    Como se trata de um sistema de artilharia, ele pode atacar qualquer tipo de alvo em seu alcance. A questão é que estrategicamente falando, o ASTROS não é indicado para o ataque antinavio, não nos dias de hoje.

    Um abraço e obrigado por ler nosso portal!

  7. Anderson manoel disse:

    O astros 2 do cfn podera atacar navios?

  8. Renato Monteiro disse:

    MUITO BOA , COMPLETAMENTE RICA EM DETALHES DE DADOS E IMAGENS, NEM NOS

    MELHORES SITES MILITARES QUE EU CONHEÇO, NUNCA VI NADA IGUAL, EU NÃO CONHECIA

    O SITE FIQUEI FÃ Á PRIMEIRA VISTA, PARABENS ÓTIMO TRABALHO!!!

  9. leonardojm disse:

    Muito obrigado mesmo pelo reconhecimento Fernando. Nosso trabalho é justamente para trazer todas as informações com precisão e o maior número de detalhes possível ao leitor. É muito bom ver esse esforço reconhecido. Um forte abraço!

  10. leonardojm disse:

    Muito obrigado pelo elogio e por acompanhar o site! Um forte abraço!

  11. Vinícius Almeida disse:

    Caramba, essa foi a melhor matéria sobre o sistema de artilharia de saturação ASTROS!

    Parabéns!

  12. Fernando Augusto Terra disse:

    O nível de detalhamento da matéria sobre o Astros II MK6 nos mostra o alto grau de comprometimento, profissionalismo e respeito da equipe do Portal em transmitir uma informação tão rica aos seus leitores.

    Parabéns e sucesso cada vez maior nesta empreitada.

  13. leonardojm disse:

    Muito obrigado! O reconhecimento dos nossos leitores significa muito para nós. Nos deixa cada vez com mais vontade de seguir em frente e aprimorar nosso trabalho. Acompanhe por que vem mais novidades por aí. Um abraço!

  14. Eduardo Ramos disse:

    Leonardo Jones eu acompanho sites e blog de assuntos de defesa há muito tempo e nenhum deles fez uma matéria relacionada com o sistema Astro para os fuzileiros navais e com a versão MK6 tão bem explicada e de uma forma tão fantástica como eu li no Portal de Defesa parabéns que você e todos que fazem o Portal de Defesa continuem a nós presentear com matérias como essa, a única coisa que me deixa triste e saber que o VBL Guará não vingou pois certamente seria o protetor da família de lançadores Astros II.

  15. leonardojm disse:

    Valeu! Muito obrigado!

  16. leonardojm disse:

    Muito obrigado!

  17. leonardojm disse:

    Muito obrigado! Atualizei o artigo, agora tem uma informação interessante sobre o guindaste da AV-RMD que tem a ver com o AV-TM-300.

    Um abraço!

  18. leonardojm disse:

    Muito obrigado! Fico muito feliz em ver que nosso trabalho atingiu o objetivo de informar com qualidade sobre esse excelente sistema.

  19. leonardojm disse:

    Valeu César! O artigo foi atualizado, agora tem detalhes sobre a blindagem e do guindaste da AV-RMD.

  20. RobertoCR disse:

    Eu também pensava que ASTROS 2020 seria uma versão do sistema, não um programa do EB. Obrigado pelos esclarecimentos.

  21. Gilberto Rezende/RS disse:

    OK, realmente esclareceu a confusão o sistema continua se chamando Astros II padrão mais moderno é o MK6 e o Astros 2020 é o seu programa de modernização do sistema Astros II.

    PERFEITO isto estava embaralhado e fazia tempo mesmo…

    Agora é esperar a apresentação oficial do AV-TM-300 e do Falcão que acho vai acontecer em algum momento ainda em 2015…

  22. leonardojm disse:

    Boa noite Gilberto! Que bom que gostou do artigo!

    Quanto a sua dúvida, na verdade esse artigo busca justamente corrigir esse equívoco espalhado pela internet e infelizmente por muitas autoridades e que só ajudou a confundir mais ainda, o de que o nome ASTROS 2020 se refere a uma viatura, quando na verdade não é bem assim. ASTROS 2020 é um programa do Exército Brasileiro que visa várias melhorias e aquisições em torno da sua artilharia de foguetes. O programa ASTROS 2020 contempla a construção do Forte de Santa Bárbara, a integração das baterias com o VANT Falcão, o míssil AV-TM-300 e a aquisição de novas viaturas ATSROS.

    As novas viaturas do EB, utilizadas no contexto do ASTROS 2020 são também da versão MK6, e são denominadas pelo EB também como ASTROS II MK6, justamente por essa ser a versão mais moderna produzida pela Avibras. Isso pode ser conferido neste vídeo publicado pelo Exército Brasileiro em seu canal no Youtube: http://youtu.be/BT-UjruPag4?list=PLnkYkTv4HbMZbmWxPnNIvXhUv-EwqVgju

    Qualquer dúvida, é só perguntar!

    Um forte abraço!

  23. César Antônio Ferreira disse:

    Belíssima matéria, uma referência obrigatória sobre o Astros Mk6.

    Parabéns aos autores!

  24. RobertoCR disse:

    Correção

    Aonde se lê "Nunca havia nenhum artigo…", leia-se "Nunca havia lido nenhum artigo…"

  25. RobertoCR disse:

    Me junto aos demais comentaristas e parabenizo o Portal Defesa pela excelente matéria. Nunca havia nenhum artigo com tantos detalhes sobre o sistema.

  26. CM disse:

    Excelente matéria! Como disse o colega, uma das, se não a mais completa já feita sobre o ASTROS.

    Excelente notícia sobre o MT-300, que poderá não se restringir aos tais 300Km. Essa arma dará um poder ao CFN ( e ao EB) que eles nunca sonharam.

    Parabéns ao PD e à Marinha do Brasil e seu CFN!

    Ad Sumus!

  27. Gilberto Rezende/RS disse:

    Além da excelente matéria sobre o Astros seu texto contém informações primorosas sobre o desejo do CFN de transformar o PCC do Astros num PCC de batalhão incluindo todas as armas através de kits eletrônicos. ME parece que sem recursos próprios para financiar o desenvolvimento o caminho é o CFN montar um estudo de projeto e encaminhar ao ministério da Defesa solicitando verbas extraordinárias.

    Outra informação MUITO relevante foi a citação que dois disparos do AV-TM-300 JÁ FORAM realizados em agosto deste ano em Formosa-GO. A princípio este exercício foi noticiado como teste de foguetes e não do AV-TM-300.

    Mas uma coisa me confunde e acho que se trata de um erro pois que eu saiba o CFN adquiriu um sistema Astros 2020 denominado CFN e não um Astros II MK6. A própria citação que o sistema poderia ser conectado ao VANT Falcão (coisa que o CFN não pretende pela doutrina de utilização) indica que o sistema relatado é um Astros 2020 uma vez que o Astros II não prevê este uso.

    https://www.mar.mil.br/cgcfn/noticias/destaques2014/cfn_novo_astros.html

    Outra coisa que me faltou, mas entendo que a fonte da matéria foi só o pessoal do CFN e não da Avibrás, seria para matar a curiosidade sobre o que difere a unidade do CFN em relação ao Astros 2020 do EB para a empresa classificá-la como uma variante diferente.

    Em que o sistema do CFN difere do sistema do EB ?

  28. BrasilPotência disse:

    Parabéns meus caros, matéria perfeita.

  29. lucas lasota disse:

    Uma das melhores matérias que li sobre o Astros. Parabéns!

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