ER-2 da NASA faz escala técnica em Recife

Publicado em: 27/08/2016

Categoria: DESTAQUES

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Foto: Infraero

Do Rio de Janeiro

Uma ave rara no país, um ER-2 da NASA, fez uma escala técnica no Aeroporto Internacional Gilberto Freyre, em Recife, no último dia 23.

A aeronave chamou a atenção no momento do pouso por seu desenho diferente, e por ter causado o fechamento do espaço aéreo em sua aproximação.

A escala técnica já estava planejada com antecedência e todas as autoridades notificadas. O pouso em Recife era necessário para abastecimento e manutenção preventiva, uma vez que a aeronave vinha de um longo voo de 10h e cerca de 6,800km desde o estado da Geórgia, na costa leste dos EUA e segue para a Namíbia, no sul do continente africano.

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ER-2 em Recife – Foto: Carlos Pantaleão

A aeronave vai participar do projeto ORACLES, um estudo coordenado pela NASA para compreender os efeitos das nuvens formadas por partículas de incêndios florestais no clima local. Para isso, o ER-2 contará com a companhia de outra aeronave no país africano, um P-3B Orion também da NASA.

Tanto o ER-2 quanto o P-3B contam com diversos sensores a bordo, instalados por toda a aeronave. Sensores que vão desde espectrômetros ultra modernos e sensíveis, até radares de nuvens e precipitação.

A operação do ER-2 é complexa e diferente de qualquer aeronave comum. O ER-2 é uma versão civil de pesquisa do famoso avião de reconhecimento Lockheed Martin U-2, projetado na Guerra Fria para espionar a União Soviética.

Cockpit do ER-2 em Recife – Imagens: IMAEB

Por conta disso ele foi feito para operar em grandes altitudes, até cerca de 70 mil pés, o que lhe permite voar no limite da troposfera a uma altura duas vezes maior do que a altitude comum das aeronaves comerciais em voo de cruzeiro.

Para que isso seja possível o ER-2 conta com asas de grande envergadura, são quase 32 metros de envergadura contra 19 metros de comprimento da aeronave em si. Essas características fazem de um simples pouso fora da base de origem, como ocorreu em Recife, uma tarefa complexa.

O ER-2 necessita de suporte externo durante o pouso, com um segundo piloto da NASA em um carro perseguindo a aeronave pela pista a cerca de 160km/h e auxiliando o piloto no controle do avião via rádio para que ele pouse no ponto certo e perfeitamente centralizado, uma vez que a visibilidade a partir do cockpit é restrita no pouso, e a envergadura obriga o piloto a se manter perfeitamente no eixo da pista.

Durante o taxi e na decolagem a aeronave faz o uso de um trem de pouso “descartável” sob as asas por conta da grande envergadura. Sem essas rodas extras, as pontas das asas arrastariam no chão na menor inclinação da aeronave, podendo causar um acidente, principalmente durante a corrida de decolagem. Esse par de trem de pouso extra é descartado automaticamente quando a aeronave decola, ficando na pista e sendo recolhido pelo pessoal de apoio.

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Rodas “descartáveis” em um U-2 – Foto: clubhyper.com

O suporte ao piloto também é diferente uma vez que ele utiliza um traje de características espaciais. É um traje pressurizado que o obriga, por exemplo, a se alimentar durante os longos voos apenas com alimentos pastosos e água, ambos através de um tubo inserido em seu capacete.

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Traje do piloto do ER-2 – Foto: Joe Oliva / Jetpix.com

Demonstração em Recife das características do traje do piloto do ER-2 – Imagens: Aviação & Motociclismo

A aeronave partiu para seu destino final na manhã de sexta-feira, dia 26, e deve ser uma presença um pouco mais comum no país pelos próximos dois anos, que é a previsão de duração do projeto ORACLES.

Portal Defesa

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