Forças Armadas dos EUA encolhem

Publicado em: 24/02/2014

Categoria: NOTÍCIAS

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Do Rio de Janeiro

Em uma coletiva de imprensa realizada hoje no Pentágono para tratar do orçamento da Defesa dos EUA, o Secretário de Defesa Chuck Hagel apresentou todos os esforços que estão sendo minuciosamente planejados a fim de manter a operacionalidade satisfatória da força apesar do horizonte orçamentário preocupante.

Os tais esforços já dizem respeito ao orçamento de 2016, o que significa que todos os passos que deverão ser dados pelo Pentágono nos próximos dois anos já devem estar bem definidos.

E é nessa realidade que Hagel apresentou o futuro das Forças Armadas Norte Americanas, um futuro de reduções de todos os tipos, tanto de materiais como de pessoal, forças encolhidas, encomendas cortadas quase pela metade, e uma mudança radical na postura militar da até então maior potência bélica da terra.

Enquanto as Forças Armadas da China estão em franco crescimento, de forma até mesmo assustadora sob certos aspectos, os planos do Pentágono para os EUA vão no sentido oposto, e em toda velocidade.

Hagel deixou clara a intenção firme de reduzir o efetivo do US Army a um contingente muito menor, de cerca de 420 a 450 mil homens, número que não é registrado desde um ano antes do país entrar na Segunda Guerra Mundial. O número de militares no Exército Americano chegou a bater recorde em 2010, com 566 mil homens, o que resultou em um gasto absurdo apenas com os salários, que já chegou a representar metade do gasto da pasta.

A pretensão é de que esse número mais enxuto de militares seja atingido já entre 2015 e 2016, apoiado pela intenção declarada de Barack Obama em retirar suas tropas do Afeganistão ainda em 2014.

O argumento positivo de Hagel para esse “apertar de cintos” é de que com essa quantidade reduzida de soldados, a tropa será mais bem treinada e melhor equipada.

O fechamento de bases militares em território americano também foi trazido à tona pelo Secretário, manobra essa já recusada de forma taxativa pelo Congresso em outras oportunidades.

Outro ponto tocado por Hagel diz respeito a frota da US Navy, principalmente no que diz respeito a sua até então inovadora estratégia de operar navios de defesa de costa, os LCS (Littoral Combat Ships).

O planejamento da US Navy prevê a operação de 52 navios deste porte, voltados a operações costeiras, de defesa de território. O Secretário, porém afirmou na coletiva de hoje que o máximo que a US Navy vai poder contar é com 32 navios do tipo, 20 a menos.

Este ponto é sensível para a US Navy principalmente pelo fato desta sugestão já ter sido rejeitada anteriormente em um aparente acordo com o Pentágono realizado no início deste mês. Acordo este que não existe mais, como Hagel bem deixou claro hoje ao comentar que “nenhum contrato sobre os LCS’s que apresentem um número maior que 32 navios vai para frente”.

Ray Mabus, Secretário da Marinha Americana, rejeita fortemente esse corte, afirmando que tal medida impossibilitará a US Navy de cumprir sua estratégia traçada para o futuro. Hagel, porém, declarou hoje que a US Navy deverá rever seus conceitos, e passar a olhar com mais atenção os navios que possam combater em qualquer lugar do mundo, principalmente se forem consideradas as “tecnologias emergentes, especialmente no pacífico asiático”.

A proposta do Pentágono para esta questão é o desenvolvimento de um navio das dimensões e capacidades similares a de uma Fragata, e com base nisso a Marinha deverá considerar a avaliação de três caminhos possíveis: A criação de um projeto completamente novo, a adaptação de um projeto existente, ou modificações nos projetos dos LCS’s para que possam navegar e combater em mares azuis.

Como se este corte já não bastasse, foi levantada hoje a hipótese da retirada do serviço ativo de 11 dos 22 cruzadores com tecnologia AEGIS em operação hoje. Os 11 navios, todos da Classe Ticonderoga, estariam prestes a entrar em fase de modernização, e segundo o planejamento apresentado hoje, seriam colocados em operação restrita apenas enquanto não recebem tal modernização, ficando de fora das operações normais da US Navy.

O porta-aviões nuclear USS George Washington está fora do orçamento, isso por que o navio deveria realizar neste espaço de 2 anos que o planejamento cobre uma manutenção geral programada com duração de 3 anos e meio, além do reabastecimento de seu combustível nuclear. O que significa que o navio está no lugar errado e na hora errada, e por conta disso parece ter seu futuro definido. Será aposentado já que não existe a possibilidade de deslocar os 6 Bilhões de dólares previstos para a manutenção e reabastecimento, deixando a US Navy com 10 porta-aviões.

Boatos dão conta também de que 3 navios anfíbios seriam encostados, o Germantown, Whidbey Island e o Tortuga.

A Aviação Naval não escapou da foice, e teve que engolir a declaração de que “caso a situação orçamentária atual permaneça, novas encomendas de aeronaves F-35 Lightning II serão congeladas por, no mínimo, 2 anos”.

Talvez para tentar acalmar os nervos, o Secretário garantiu que a US Navy vai continuar recebendo dois Destroyers e dois submarinos de ataque por ano, alertando apenas que “os cortes podem acabar diminuindo o ritmo dessas compras”.

Somando a estas notícias nada animadoras o fato já noticiado do cancelamento das modernizações previstas para as aeronaves F-22 Raptor e de toda a frota de caças F-16, foi sugerida também a aposentadoria de toda a frota de A-10 Thunderbolt, medida que encontra muita oposição no Congresso. Caso estas medidas sejam adotadas, não só a US Air Force seria afetada, como haverá uma drástica redução no contingente e capacidades da Air National Guard, que já está desde Dezembro passado sob a sombra de ter todos os seus AH-64 apaches transferidos para o US Army.

A coletiva deixou um gosto amargo para os militares americanos, que vão ter que conviver com medidas deste nível afetando sua operacionalidade e ameaçando até mesmo seus empregos pelos próximos 2 anos. O encolhimento radical das Forças Armadas Norte Americana soa para alguns como um divisor de águas na história da humanidade, que está acostumada há décadas a conviver com esta potência influenciando o mundo.

Pois como o próprio Chuck Hagel deixou claro hoje, os EUA não pretendem mais possuir uma força de prontidão para atuar em dois grandes conflitos ao mesmo tempo.

Enquanto os Norte Americanos passam horas planejando onde cortar até os últimos centavos, o Pak Fa inicia seus testes pela Força Aérea Russa, e a China está testando e lançando navios e aeronaves novas.

Todas as propostas apresentadas hoje deverão ainda passar pelo Congresso Americano. A proposta completa de cortes deverá ser entregue até o próximo dia 4.

Portal Defesa

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